sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Capitulo 46

Comecei a dirigir com aquilo ainda na minha cabeça. Acelerei e quando vi estava numa estrada saindo da cidade. A imagem de Carolina chorando veio a minha cabeça e com ela a consciência pesou por ter saído daquela forma. Bati com raiva no volante.
- Droga! Eu não podia ter deixado ela sozinha... 
Parei o carro e comecei a pensar em tudo. No fundo, eu sabia que aquela inconsciência do problema com Duda nunca sairia de mim. Naquele momento senti o peso dos meus sentimentos, e percebi que o que estava me atrapalhando com Carol era o medo de levar o nosso relacionamento a diante, por que indiretamente todos sabemos que com uma relação longa vem casamento e então filhos. Vi ali que meu medo era ela engravidar. Devia ser tipo um trauma pelo que aconteceu na gestação da Lili. As coisa não iam bem dentro de mim e então tudo fez um sentido muito maior que apenas um medo. Respirei fundo e liguei o carro, dei meia volta na estrada mesmo, estava vazia, e voltei. Dirigi mais devagar agora, pensando no que faria. Talvez continuar levando meu conselho antes do surto, talvez levar um presente. Lembrei que ela  sentia muita falta de seu antigo cachorro, que gostava muito do Puff e também Lili pedia com freqüência um cachorrinho. Talvez fosse bom pro momento. Ao invés de ir pra casa, fui pra cidade. Havia um pet shop grande no centro, eu sabia que ele tinha bonitos filhotes, pois já havia ido ali com Carol mas desistimos por que Lili ainda era muito pequena. Agora com quase dois pra completar, estava maior, era uma criança educada e ter ele desde pequena seria bom. Estacionei, peguei um boné e desci. Era um horário ruim, estava vazio. Olhei alguns cachorrinhos, todos muito lindos, mas queria um que ficasse pequeno. 
- Posso ajudar? 
- Ah sim! - Virei sorrindo e a moça se assustou. - Desculpe. 
- Sem problemas senhor.  
- Luan! - Estendi a mão. 
- O que gostaria? 
- Um filhote.
Ela me explicou sobre muitas raças e então decidi por um Labrador Retriever por ser amável com crianças. Comprei e voltei pra casa com ele quietinho no banco do lado do motorista. 
- Acho que a Carol vai gostar de você campeão. - Disse quando cheguei e peguei ele no colo, passando a mão em sua cabeça. - Ela vai te amar! - Sorri. 
Abri a porta e estava tudo em silencio. Andei devagar procurando ela, mas não encontrei. Subi as escadas com a cachorrinho no mão. Abri a porta do quarto e ela estava deitada. 
- Carol? - Ele levantou a cabeça e sentou, limpando o rosto.
- Me desculpa Luan, eu devia ter aceitado o que você tava falando e...
- Tenho um presente pra você! 
- Pra mim? - Ela sorriu limpando o rosto.
- É! Quer ver?
- Quero! O que é? - Ela levantou. 
Tirei as mãos das costas e levantei ele sorrindo. 
- Só que ele ainda não tem um nome, você vai ter que dar um pra ele. 
Ela sorriu e depois levantou correndo e pegando ele. 
- Luan, é lindo! - Me olhou com o sorriso mais puro. - Eu sempre fui apaixonada por essa raça, uma vizinha tinha um, ele brincava com o Ice. 
Ice era o cachorro dela desde a infância. 
- Gostou? 
- Amei. 
Me aproximei dela e lhe dei um selinho, que evoluio para um beijo mais intenso, até o filhote latir.
- Olha, dizem que os donos escolhem cachorros parecidos com a propria personalidade, sabia? - Ela perguntou. 
- Como assim? - Ergui a sobrancelha.
- Ele é autoritário. 
- Você me acha autoritario?
- Acho. - Ela me olhou fechando um sorriso. 
- Eu vou tentar pegar leve. - Ela afirmou. - Escolhe um nome pra ele. 
- Ele tem cara de Lord. 
- Lord? Gostei. Lord! - Mexi em sua cabeça. - A gente precisa conversar agora, daqui a pouco meus pais trazem a Lilian. Vem!
Puxei sua mão e a sentei ao meu lado na cama. Lord foi colocado no seu colo e se aconchegou. 
- Primeiro, desculpa pelo meu surto. Eu não quis falar o que falei no final, é complicado pra mim, entende. 
- Eu te entendo. - Ela me olhou seria. - Depois que você foi embora, eu pensei e não ficaria magoada se dissesse que não me quer mais. 
- Não, você não entendeu. Eu quero ter filhos com você, só que eu descobri depois que sai daqui que tenho uma espécie de trauma. Lembra que disse que estava inseguro em levar adiante a gente? - Ela afirmou. - Eu acho que não estou preparado pra viver uma gestação novamente e um relacionamento serio trás naturalmente isso, esse foi meu problema. 
- Você quer dizer... 
- Quero dizer que não estou prepararo pra falar em filhos novamente ainda. Por isso me assustei com a historia. Mas eu acho que... Bom, não acho que devia deixar por isso mesmo. Uma segunda opinião é boa, uma conversa. Vou com você onde for, fazemos exames e eu tenho certeza que deve haver tratamentos, nem tudo é perdido. 

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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Capitulo 45

Fui chorando o caminho todo. Quando cheguei em casa, bati a porta com tudo e corri pro quarto, me jogando na cama. Nem vi onde Luan estava, só ouvi ele me gritando e depois abriu a porta do quarto. 
- Hey, o que foi Carol? - Ele rapidamente viu que eu chorava com o rosto no travesseiro.
- Me deixa sozinha, por favor? 
- Não... - Ele subiu na cama e acariciou meus cabelos devagar. - Alguém te fez algum mal? Conta pra mim... 
- Luan... - Levantei e olhei pra ele. - Me abraça por favor... 
Ele me puxou forte e apertou em seus braços. 
- Calma... Estou ficando preocupado. 
- Não pergunta nada agora... 
- Tudo bem, mas depois vamos conversar. 
Ele me aninhou eu seu peito e deitou comigo. Ficou fazendo carinho e cafunés em mim. Acabei dormindo. 

Narrado por Luan. 

Carolina dormiu chorando em meu colo. Fiquei preocupado e ao mesmo tempo assustado. Meu celular tocou no bolso e eu atendi rápido demais, pra ela não acordar. 
- Luan? 
- Oi Malu. - Disse baixo.
- Você vai na festa do Sorocaba? Por que eu recebi a mensagem dele e... 
- Malu, eu não posso falar agora. 
- Ela ta ai? 
- Ta dormindo, chegou da rua um pouco mal e estou aqui com ela. 
- Traz ela, vai ser bom se divertir um pouco. 
- Preciso conversar com ela, se tiver tudo bem eu vou, recebi a mensagem. 
- Quero conhece-la. 
- Vamos ver... 
- Somos amigos ué, por que não nos apresenta? 
- Prometo que apresento vocês, mas preciso desligar. Não quero acordar ela.
- Tudo bem. 
Ela se despediu rapidamente e eu levantei da cama, arrumando Carol. O telefone de casa tocou e eu atendi da mesma forma, rapido. 
- Alô.
- É da casa da Carolina Pavam? 
- Isso, quem gostaria?
- É do consultório do doutor Ricardo, ela está?
- Ela está dormindo. 
- Ah sim, pode me dizer se está tudo bem? Ela saiu daqui chorando e... 
- O que aconteceu ai? 
- Olha, o senhor vai ter que conversar com ela, não podemos passar informações. 
- Tudo bem, ela está bem, obrigado. 
- Obrigado você. Boa tarde. 
Respirei fundo e liguei pros meus pais não trazerem a Lilian, teria que conversar com ela. Resolvi tentar fazer algo pra comer e no fim saiu um macarrão que estava com uma cara boa. Fui no quarto e Carol se mexia muito, chamava meu nome. 
- Calma, calma, ta tudo bem, to aqui. - Comecei a mexer nela e ela despertou assustada e me abraçou. 
- Pronto... 
Ela se acalmou e levei pro banheiro, deixei ela tomando banho e arrumei a mesa. Quando voltei ela estava trocada. 
- Vem comer minha princesa, fiz uma comida pra gente... - Acariciei seu rosto e deu um selinho nela. 
- To com fome... 
- Imagino, vem. - Puxei sua mão e levei ela pra comer. Esperei com expectativa que ela experimentasse, e ela sorriu. 
- Nossa, você caprichou. - Riu. - Está uma delicia. 
Tentei distrair ela ao máximo e então contei coisas engraçadas. Carol me ajudou a arrumar as coisas e perguntou de Lilian. Expliquei a ela e então puxei sua mão até o sofá. 
- O que aconteceu?
- Preciso te contar uma coisa. 
- Diga. - Peguei em sua mão. 
- Eu fui ao medico hoje de manhã, ele viu alguns exames... - Seus olhos lacrimejaram. - Promete que não vai me deixar?
- Está me assustando. 
- Promete... 
Peguei em suas mãos. 
- Prometo, prometo. 
- Ele me disse que não posso ter filhos Luan. - Suas lagrimas caíram seguidas, descontroladas. 
- Como assim não pode? - Eu não sabia o que pensar, o que dizer. 
- Não posso... Não posso engravidar.
- Calma, calma! - Respirei fundo. 
- Não tem mais calma, não vou poder ser mãe nunca. 
- As coisas não são assim Carolina! 
- Como não? Ele disse que... 
- Calma! - Abracei ela forte. - Não chora, ta tudo bem, a gente dá um jeito... Eu não sei nada sobre isso, mas a gente pesquisa e... 
- Luan, não me bota esperanças. 
- Carol, as coisas na vida não podem ser aceitadas assim. Um medico disse e pronto? Talvez tenha outro jeito, talvez ele esteja enganado. Podemos ir em outro, eu te levo, vou com você. - Estava tão perdido quanto ela. - Se sentir mais a vontade, peço a minha mãe... 
- Luan, talvez seja isso e pronto. Você já tem a Lili e eu a amo tanto. Não vou estar estragando seu sonho por que você já é pai. - Ela chorava. 
- E o seu sonho? - Estava inconformado dela jogar tudo assim. 
- Não existe mais a possibilidade e prefiro me conformar. - Ela parecia que tentava convencer a si mesmo disso. 
Na mesma hora, fechei os olhos e imaginei eu e ela, sentados no sofá de uma casa bem grande. Carol tinha um barrigão, gravida, preste a dar a luz. E então ela se levantou, me deu um beijo e subiu as escadas sorrindo pra mim. Quase no topo, despencou degraus a baixo. 
- Você tem razão! 
Me levantei do sofá, calcei os chinelos e peguei a chave do carro, então sai batendo a porta. 

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Capitulo 44

Narrado por Luan

- LUAN! - Escutei Carolina gritar. 
- Eu preciso desligar, a Carolina chegou. - Disse a Malu. 
- Tudo bem, beijos. 
- Beijos. 
Desliguei o celular e esperei ela aparecer no quarto. 
- Tudo bem meu amor? 
- Tudo ótimo, e como você princesa? - Ela se aproximou e me deu um selinho. 
- Preciso de um banho! - Ela foi tirando a blusa ali mesmo e depois entrou no banheiro. 
- Trabalho puxado hoje? 
- Sim, fotografar crianças é complicado. - Ela riu. - E a Lili? 
- Está dormindo... 
Ela ligou o chuveiro e parou de responder. Eu tinha feito uma grande amizade com Malu, mas não me sentia bem em expor isso pra Carolina. Não conseguia entender o motivo. Tinha visto ela algumas vezes mais, ela era uma pessoa com uma visão diferente da vida. Não demorou muito Carol estava saindo e entrou no closet, saiu trocada. 
- O que vamos fazer hoje? - Sorriu subindo na cama e acariciando meu rosto. 
- Não sei meu amor, o que quer fazer? 
- Eu não sei, mas está gostoso esse calor... 
- Quer ir ao cinema? Igual aquele dia que fizemos, que te pedi em namoro?
- Vamos?
- Vamos! Vou ligar pra minha mãe e pedir pra ela ficar com a Lili. 
- MAMÃE! - Escutamos a Lilian gritando. 
- Alá ela! - Ri. 
- Vou lá dar banho nela! 
Ela saiu do quarto e liguei pra minha mãe. Depois apitou meu celular, um iMessage da Malu.
"Espero não ter te causado problemas!"
Respirei fundo e respondi:
"Fica sossegada, não tem problema algum."
Levantei e fui tomar banho. Mais tarde fomos ao shopping e tentei o máximo possível não chamar atenção. Carolina deu um jeito de entrar numa livraria, parando perto da prateleira de revistas da semana. Quando se agachou pra pegar um livro, vi uma revista de fofocas do dia anterior a minha volta pra casa, quando sai com o pessoal, e na capa havia uma foto minha, de Sorocaba e Malu, abraçada comigo. Me assustei. 
- Lu, como é mesmo o nome?
- Não lembro! 
Peguei a revista e virei a capa de costas, pra ela não ver. 
- Achou? 
- Não! - Ela levantou. 
- Vamos embora então! - Sai puxando ela e fiz questão de dar um jeito de sumirmos logo dali. Quando chegamos, aproveitamos que Lili não estava e resolvemos cuidar da gente um pouco, no amamos com desejo e carinho. 

Narrado por Carolina. 

No dia seguinte, acordei cedo. Tinha medico pela manhã e acabei tendo que fazer esse sacrifício. Tomei banho e dirigi até lá bem tranquila. Iria passar com o meu ginecologista, ele tinha pedido alguns exames e eu estava levando o resultado pra ele ver. Esperei um bom tempo, mania de medico de nos dar chá de cadeira. Quando me atendeu ele foi gentil e agradável, fez as perguntas como sempre. Pegou os exames na mão e olhou, olhou, olhou. Não fez uma cara agradável e depois me fitou. 
- Algum problema doutor?
- Como eu temia. Lembra que te disse que tinha algumas suspeitas?
- Lembro, fala logo por favor. 
- No nosso ultimo exame, achei uma coisa estranha. E talvez, bom, foi bom eu ter pedido esse exame. Pode ajudar a evitar, vamos dizer, angustias futuras. 
- O que houve? - Estava assustada já. 
- Carol, você não pode ter filhos. 
Eu pretendia ter filhos, dar a luz, gerar uma vida, apesar de ter a Lilian, então aquilo foi uma facada pro meu coração. 
- Que?
- É um problema complicado. Mas existem muitas opções hoje em dia, tem muitas crianças sem pais, sei que não tem planos pra já, mas você e seu marido, no futuro, podem adotar. E seu namorado tem a filha, que é uma filha pra você... 
Já chorando, me levantei da cadeira e sai, batendo a porta. 

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sábado, 28 de setembro de 2013

Capitulo 43

No dia seguinte, acordei com Luan me chamando. Ele estava em cima de mim, com aquele seu sorriso lindo. 
- Bom dia! 
- Bom dia Lu. 
- Trouxe café na cama, levanta e como comigo ou vou ter que ficar dando beijinhos? - Ele começou a acariciar meu rosto e dar beijos e mais beijos no meu pescoço. 
- Eu não vou levantar agora mesmo! 
- Sem vergonha! - Ele se afastou rindo. - Eu sabia que ia ter que comer sozinho, já que não tenho namorada e sou solitario mesmo, vou ir pra balada hoje pegar umas 20, o que você acha? - Ele já mexia seu suco e bebia olhando pra mim, bem naturalmente. 
- Acho que não ta com essa moral toda, isso que eu acho. - Ri muito virando de costas pra ele ainda deitada.
- Não to com essa moral? Beleza! - Ele riu. - Não é isso que você mostrou ontem! 
- Viado! - Ri dele. 
- Você sabe bem que não sou viado Carolina, sabe bem. - Ele tinha um sorriso cínico no rosto. 
- Sei? 
- Sabe, agora levanta ai antes que eu te mostre como eu estou com essa moral toda. 
Ri e me levantei, comemos conversando, em tons de brincadeira e depois ele levou as coisas na cozinha e eu fui tomar banho. Demorei um pouco, a água estava quente, gostosa, e quando voltei, ele estava na cama com o celular. Ele saiu dizendo que precisava fazer xixi e deixou o celular sobre a cama. Sentei nela e terminei de me enxugar, mas o celular me assustou, apitando. Olhei pra ele e estava escrito no visor: "iMessage de Malu". A previa da mensagem estava desativada, então não se podia ver nada ali, tinha que desbloquear e lógico que não faria isso, mas estava intrigada. Quem não deve não teme e ele estava temendo, pois tinha reservado a mensagem pra ver só quando colocasse a senha. Mais tarde iria ver se ainda era a mesma ou ele tinha mudado. 
- Amor, vamos aproveitar a praia? - Ele saiu sorrindo e veio me dar um selinho. 
- Vamos ué, deixa só eu botar biquíni, por que quero tomar sol, em Londrina não tem sol, fico com essa cor de morta. 
- Carol, o sol ta muito forte, não te quero estendida ali na areia. - Ele riu. - Por favor né? 
- Quer que eu pegue sol como? 
- Passando muito protetor e indo nadar comigo ou então ficar abraçada comigo olhando o mar. 
Fiz a vontade dele e passamos o resto da manhã abraçados, curtindo o mar, com beijinhos e caricias. A praia ali estava quase deserta, então ficamos muito sossegados. Luan me explicou que ali no ponto que a gente tinha pegado era o melhor da praia, mas o condomínio estava vazio, sem muitas pessoas. Voltamos pra nos arrumar e ir almoçar, e ele deu sossego e foi tomar banho, dizendo estar cheio de areia. Peguei seu celular e realmente a senha não era mesma. Dei como estava e com a cabeça a mil fui procurar uma roupa pra ir até o restaurante que nos indicaram na praia que ficava fora do condominio. Diziam que era muito bom, mas grande e sossegado, então não teria problemas. Quando terminei, ele me gritou. 
- O que foi? 
- Vem tomar banho comigo amor! - Ele riu. 
Acabei tirando minha roupa ali mesmo e entrei com ele. Trocamos muitas caricias ali e nos amamos também. Mas ele logo saiu e disse que me deixava terminar enquanto se trocava. Terminei logo e ali no banheiro mesmo sequei minha cabelos com a toalha e fiz um trança embutida, com meu cabelo grande semore ficava bom. Quando sai pro quarto, Luan não estava. Botei um biquini e em seguida um shorts e uma camiseta, bem leve e uma rasteirinha. Roberval tinha deixado um carro com a gente, então desci logo e encontri Luan dentro mexendo no GPS e colocando o endereço que o porteiro tinha nos dado. - Conseguiu? 
- Consegui! - Ele sorriu e olhou pra mim. - Esta linda! 
- Obrigado. - Sorri. - Vamos, estou com fome. 
Fechei tudo e fomos logo pra comer. Luan queria comer camarrão e eu também, então aquele lugar parecia ser o melhor da cidade pra isso. Depois andamos de mãos dadas pela praia ali mesmo e vimos umas pessoas andando de bicicletas duplas, triplas e mais um monte de "plas". Luan me olhou com cara de quem está aprontando e saiu me puxando em direção ao local que aluga. - Espera aqui! - Fiquei encostada na árvore e ele foi lá conversar com o cara.
Voltou com um sorriso no rosto e disse: 
- Ele vai preparar uma pra gente.
- Luan, não sei andar. - Sorri falando mais baixo, com vergonha. 
- Que? - Ele riu.
- Eu não sei andar de bicicleta amor, vamos embora.
- Não, vamos aprender! - Ele gargalhava. - Não precisa ficar com vergonha, vou te ensinar. 
- Para de rir! Luan, você deve saber menos ainda. Faz quanto tempo que não sobe nisso? 
- Um bom tempo, mas dizem que quando aprende, nunca mais esquece. 
E então ele me fez subir naquilo. Começamos a andar e não era difícil, por que era de três rodas. Ele foi na frente e quando olhava para tras, parecia criança quando ganha o melhor brinquedo de sua infância toda. No mesmo momento, esqueci que esportes não era pra mim e me diverti como nunca tinha feito antes ao lado dele. 

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Capitulo 42

Narrado por Luan.

Trabalhei muito no fim de semana e só pude respirar mesmo na segunda. De volta a São Paulo, faria um show de radio, era mais cedo e depois iria pra casa do Fernando. Quando cheguei, cumprimentei o pessoal e então conversei com nossos amigos, e um tempo depois Malu chegou cumprimentando a gente e se sentou ao meu lado. Conversamos muito aquele dia. Ela era uma menina mulher muito viajada, sua experiencias encantavam. Tinha 21 anos e no final já havia vivido tanto. Ela contava as coisas que fazia com tanta intensidade, que dava vontade de fazer loucuras também. Podia ver nela uma amizade pra crescer, por que ela era uma pessoa legal. Trocamos numeros e quando me despedi, sem querer calculei mal a direção e acabamos dando um selinho. 
- Me desculpa. - Rimos. 
- Você é um safado, coitada da sua mulher! - Ela riu. 
- Mas foi sem querer! - Ri. - Não me deixa com a consciência culpada a toa!
- Me engana, já saquei a sua... 
- A minha? 
- Tem cara de santinho, mas não é... 
- Não sou mesmo! - Ri. - Mas nunca trai ela. 
- Não duvido. - Ela sorriu sapeca. 
Me despedi e sai dali pensando naquilo. 
- E você e a Malu?
- O que tem Roberval? - Olhei pra ele. 
- Nada ué... 
- Somos amigos cara, ela é legal. 
- Não bobeia Luan, não bobeia. 
- Eu nem vou contar do selinho pra Carol, foi sem querer.

Narrado por Carol. 

- Isso, assim! Agora agacha!
Estava no fim de um ensaio quando senti umas mãos na minha cintura me puxando pra trás. Era Luan. Me virei rápido. 
- Luan? 
- Oi meu amor! - Ele me deu um selinho. 
Gritei que era intervalo. 
- O que ta fazendo aqui? - Sorri abraçando ele. - Achei que tivesse show hoje ainda. Que saudade.
- Eu também estava, mas... Vim te buscar!
- Por que?
- Lembra da viagem que te prometi? 
- Lembro. 
- A gente tem dois dias, é pouco, mas só pra gente. 
- E seu show? 
- Hoje é em Floripa! Você vai comigo, já arranjei um lugar bacana pra gente lá, praia particular. Bonito e quente, como você gosta. Temos amanhã e quinta até o fim da tarde. 
- Serio? - Sorri de orelha a orelha. 
- Seríssimo princesa. Estamos precisando. 
- Então vou terminar aqui logo! 
- Termina que vou te esperar! - Ele me deu um beijo e sorriu. 
Voltei a fotografar e em meia hora tinha acabado. Fomos pra casa, arrum minhas coisas e as dele, depois o pai dele veio nos buscar. Lilian iria ficar com ele, tive que me despedir. Eu não me sentia bem longe dela. Fui com ele embora, o show foi incrível. Tinha saudades disso e aproveitei pra curti e tirar fotos e mais fotos. Quando saimos de lá, entramos na van e Rober perguntou pra ele se iamos pro hotel.
- Não cara, pra aquele lugar. 
Eles pegaram um papel e então deram ao motorista. Estava cansada, Luan me colocou no seu colo deitada no ultimo banco, e eu acabei dormido com ele fazendo cafuné em mim. Só despertei quando chegamos e Luan me chamou devagar. 
- Amor, amor... Carol! 
Abri os olhos e ele sorria. 
- Chegamos meu amor. 
Levantei e ele me apoiou, desci da van e ele segurou minha mão e com a outra pegou as mochilas. Conversou com Rober, combinaram algumas coisas e eu aproveitei pra olhar o local. Era bonito demais, parecia ser um condomínio. Havia muitas casas viradas pra rua e eu podia ouvir atras o barulho do mar e alguns vestígios da areia branca. Eu amava o mar. Luan engim parou de falar com ele e se despediram, acabei fazendo mesmo e ele me puxou pra casa atras de nós. 
- Que barulho gostoso do mar. - Sorri. 
- Faz tempo que não vou a praia pra curtir. 
- Eu também. 
Ele parou olhando pra mim na sala, com a luz do abajur acessa. 
- Sabia que você é linda demais?
- Você acha?
- Tenho certeza.
Ele me abraçou e sussurou em meu ouvido. 
- Essa viagem é um pedido de desculpas, por não estar sendo um bom namorado pra você. 
- Eu também te devo desculpas. 
- Não, quem tem errado sou eu. Você sempre me fez bem, e eu só dou mancada com você. Mas não viemos discutir com isso. 
- Não? - Sorri. 
- Não. 
Ele me beijou de forma intensa e então retribui. Sem eu ver, estava em seu colo e ele subia as escadas, sem cortar nosso beijo. Nos amamos com muita paixão naquela noite. 

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domingo, 22 de setembro de 2013

Capitulo 41

Passamos uma noite boa. Bebi claro, mas nada demais e mesmo assim não deixaria Carol saber. Fazia tempo que não saia só com os caras e foi bom, talvez até leve, sem me preocupar com nada. Os caras se levantaram e foram mexer num negocio pra colocar som pras mulheres dançarem, já que a esposa do Fernando estava pedindo e antes só cantávamos com o violão, fiquei sozinho na mesa com Malu. Pulei pra cadeira ao seu lado e puxei assunto 
- Eia, quantos anos você tem? 
- Indelicado você. - Ela riu com sarcasmo. 
- Mas nossa, você parece muito nova, se incomoda tanto assim?
- Não pra falar a verdade. - Olhei rindo. 
- Então! 
- Tenho 21, você? 
- 24. 
- Eu nunca tinha te visto nessas festa, ta ficando velho rabugento? - Ela era expontânea. 
- Claro que não. - Ri. - Eu tenho ido pra casa nas folgas. 
Meu celular tremeu no bolso e peguei, era uma mensagem da Bruna enchendo o saco. Nem abri, mas coloquei o celular em cima da mesa. O olhar dela foi pra tela, uma foto minha abraçado com Carol e Lili no colo dela segurando nossos rostos. 
- Sua esposa e a filha de vocês é linda. 
- Ah... - Olhei. - Obrigado. - Sorri. - Mas não somos casados. É minha namorada.
- Ah é? Eu não sabia. 
- Muito pensam que sim. 
- Parece. Formam uma bonita família. 
- Você acha? 
- Acho. 
Ela começou a falar alguma coisa, eu prestei atenção. Era muito diferente de Carol, era do tipo que quer curtir a vida, ser feliz e mais nada. E muito bonita, ficava até sem jeito enquanto ela falava. Logo chamaram ela e então se levantou, e fiquei olhando sua dança, do meu lugar mesmo e bebendo. 
- Para de babar na menina cara... - Rober falou sentando ao meu lado. 
- Não to babando em ninguém, tenho namorada e to muito bem lá em casa. - Desviei o olhar. 
- Serio? Por que você não tira os olhos. 
- Achei ela bonita, só isso. 
Olhei meu celular, era quase quatro da manhã. 
- Vamos embora?
- Vamos, to cansado já. - Testa reclamou. 
- Mas você só sabe dizer que ta cansado. 
- E você é chato demais Luan. 
- Olha aqui, não é pra falar nada pra Carol.
- Ela não sabe que você ta aqui?
- Sabe, mas não conta que bebi a noite toda e nem que achei ninguém bonita hein?
- To ligando pra ela agora. - Ele saiu rindo e começou a chamar os outros. 
Fui me despedir de todos e depois Fernando disse que seria aniversario de sua esposa e ele faria outra festa na segunda, me chamou e eu confirmei. O show começaria cedo e acho que dava pra passar ali depois. Fui me despedir das mulheres e de Malu, com um beijo no rosto e um abraço. Logo estávamos no hotel e dormi até tarde, acordando de ressaca. 

Narrado por Carolina. 

Na sexta, fui com a academia de ballet fazer uma pequena apresentação num teatro. Levei Lilian, que estava a cada dia mais encantada com a dança. Ela já sabia a base de alguns passos com pouco mais de um ano. Mesmo com passos desajeitados, ela pelo menos tinha uma noção dos movimentos e era a princesinha do grupo, que tinha somente pessoas da minha idade e ninguém tinha filhos. Ela era a única filhote dali. Falei com Luan no telefone antes de ir, ele me contou da festa na noite anterior, disse que matou a saudade dos amigos. Porem, depois da dança, passei mal. Minha pressão caiu e eu quase desmaiei. Quando me recuperei, uma amiga dirigiu meu carro até em casa, peguei algumas roupas e resolvi dormir na casa dos pais de Luan. Pelo menos não ficava sozinha com Lilian não estando boa. Seu Amarildo levou ela embora enquanto Dona Marizete quase me levou no hospital de tanta preocupação e cuidado comigo. Lilian logo foi dormir.
- Eu to bem agora Mari, obrigado. 
- Ai que bom que decidiu vir pra cá! 
Meu telefone tocou e era Luan. Ele estava no show e ligou antes pra não me acordar de madrugada. 
- Estou na casa dos seus pais. 
- Meus pais?
- Eu passei mal no teatro, preferi vir pra cá.
- Como assim passou mal? 
- Está calor meu amor. 
Expliquei pra ele, e ele me pediu pra ter cuidado, especialmente com a escada. Logo acabou indo desligar e fazer o show. Já estava com saudades, e ele só voltaria na terça de madrugada. 

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Capitulo 40

- Não, eu não vou deixar isso acontecer, te prometo. 
- Quero que me diga quando não me quiser mais. 
- Eu sempre vou te querer. 
- Promete? 
- Prometo. 
- Posso te fazer uma pergunta?
- Duas. 
- Por que você... - Parei um pouco pensando. - Por que não está indo mais na psicologa?
- Como você sabe? 
- Não saiu mais na segunda pela manhã.
- Eu não tenho problemas Carol, eu não preciso.
- Eu pensei que... - Acariciei seu rosto e ele me puxou me deitando em seu peito. - Pensei que estava te fazendo bem. 
- Estava, mas eu estou bem agora. 
- Está inseguro. 
- Eu achei que a psicologa fosse sobre a Eduarda e não sobre a gente. 
- É sobre você.
- Talvez não. - Ele ficou impaciente. - Eu não quero mais falar disso, estou me incomodando com esse assunto Carolina. 
- Tudo bem. - Sorri forçado. - Acho que precisamos viajar, bem um tempo pra gente. 
- Acontece que não temos esse tempo. - Ele riu. - Só daqui uns 3 meses, no fim do ano, tiro ferias e vou com você pra bem longe, pode ser? Só nós dois.- Ele beijou meu pescoço.
- Pode. Vai ser bom.
- Me sentiria melhor se viajasse comigo todos os dias. 
- Não quero brigar com você nesse momento, por favor. 
- Tudo bem. 
Seu Amarildo logo chegou com Lilian de um passeio. A semana foi tranquila, nenhum briga ou problemas, só tranquilidade e harmonia, mas Luan nos deixou logo, indo viajar enquanto eu fiquei no estúdio e com Lili.

Narrado por Luan.

Estava no quarto de hotel me arrumando quando Rober bateu na porta. Era uma quinta-feira.
- Calma, já to quase pronto! 
- Abre logo Luan. 
Caminhei bufando até a porta e abri. 
- Não vou me atrasar, estou adiantado, não fica nervoso. 
- Luan, o show foi cancelado. 
- Por que? 
- Por que ta chovendo muito lá, acharam melhor adiar pra segunda. 
- Ah, tudo bem então. Vamos comer em algum lugar? A gente ta em São Paulo poxa. 
- Tudo bem, vamos ué. 
Meu telefone tocou. 
- Eai cara? - Era Sorocaba. 
- Tudo certo?
- To sabendo que o show de hoje foi cancelado. Estamos fazendo um churrasco aqui na casa do Fernando, vem pra cá. 
- Ah, beleza, vou sim. 
Me despedi e desliguei. 
- Bora pra um churrasco na casa do Fernando? 
- Bora. 
Terminei de me arrumar e Rober foi fazer o mesmo. Chamamos o Guto e o Well que estava com a gente, e fomos. No caminho liguei pra Carol, conversamos e disse que voltaria só na terça, então ficaria só dois dias em casa, já que quinta iria embora novamente. Ela ficou um pouco decepcionada, mas entendeu e disse que eu devia me diverti um pouco, mas recomendou que não bebesse. Ela não gostava de bebidas e vivia me repreendendo com isso. Era um ressentimento antigo, ela não falava sobre isso, mas o seu pai provocou o acidente que matou ele mesmo e sua mãe por que havia bebido muito. Eu estava me sentindo estranho no nosso relacionamento, e não fazia ideia do por que. Carol era perfeita, eu a amava, mas não estava me sentindo bem. Quando chegamos, cumprimentei nosso amigos e quando fui sentar na mesa com alguns, meu olhar cruzou o caminho de uma moça, que eu até então não conhecia, muito bonita por sinal. Fernando se aproximou, falou comigo e depois disse: 
- Deixa eu te apresentar! Essa é a Malu, Maria Luisa! - Olhei pra ela e sorri enquanto ela retribuía, eu me levantei e dei dois passos passando pela cadeira vazia que nos separava e beijei seu rosto. - É amiga da minha mulher, os caras já conhecem ela, mas você sumiu nos últimos tempos né?
- Tenho ficado muito em Londrina com a Lilian e a Carol! - Sorri. - Mas é um prazer conhece-la Malu, posso te chamar assim? 
- Claro, fica a vontade. É um prazer Luan.

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